As três estrelas que brotaram da terra
Por gastronomizaê · 2026-04-14
Na noite de 13 de abril de 2026, no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, a gastronomia brasileira escreveu um capítulo inédito em sua história. Pela primeira vez, dois restaurantes do país receberam três estrelas Michelin — a mais alta distinção do guia gastronômico mais influente do mundo. Os contemplados foram o Tuju e o Evvai, ambos em São Paulo. Com isso, o Brasil se tornou também o primeiro país da América Latina a alcançar essa marca.
Antes desta edição, o teto das conquistas brasileiras no Guia Michelin era de duas estrelas, ostentado por casas como Lasai e Oro. O salto para três, portanto, não é apenas simbólico: é a consolidação de um ecossistema gastronômico que levou décadas para amadurecer.
Tuju: a culinária dos biomas
À frente do Tuju está o chef Ivan Ralston, que ao longo de anos construiu um cardápio profundamente enraizado nos biomas e nas sazonalidades brasileiras. Ralston é reconhecido por trabalhar em estreita colaboração com pequenos produtores nacionais, estruturando menus que funcionam como um mapa sensorial do território brasileiro — da Amazônia ao Cerrado, do Pantanal à Mata Atlântica.
O Tuju está localizado no Jardim Paulistano, em São Paulo, e figura entre os melhores restaurantes da América Latina segundo o ranking Latin America’s 50 Best Restaurants.
Evvai: o encontro entre Brasil e Itália
O Evvai é conduzido pelo chef Luiz Filipe Souza, e sua proposta parte do conceito oriundi — palavra italiana que designa descendentes de emigrantes — para explorar a fusão entre a culinária italiana e os ingredientes brasileiros. O resultado é um menu degustação de 14 etapas, com preço atual em torno de R$ 895 a R$ 995 por pessoa, com opção de harmonização de vinhos à parte.
A equipe criativa inclui a chef de pâtisserie Bianca Mirabilli, eleita Melhor Chef de Confeitaria da América Latina em 2025.
O restaurante fica no bairro de Pinheiros, em São Paulo.
Um marco para o Brasil
A conquista das três estrelas por Tuju e Evvai representa o reconhecimento internacional de uma geração de cozinheiros que apostou na identidade brasileira como caminho, e não como obstáculo. A distinção coloca São Paulo definitivamente no mapa das grandes capitais gastronômicas do mundo — ao lado de Paris, Tóquio e Copenhague.
Para o Guia Michelin, três estrelas significam que o restaurante “justifica uma viagem especial”. Para o Brasil, significam que chegou a hora de o mundo vir até aqui para comer.