Existem jantares que têm ritmo de conversa boa — eles vão crescendo, encontrando o passo certo entre os pratos, entre as bebidas, entre os silêncios produtivos. O jantar no Ninita foi um desses.
Começou com o Negroni. Esse coquetel que divide opiniões e une quem entende que amargor é sabor, não defeito. A cor âmbar profundo no copo baixo com gelo e um twist de laranja que perfuma antes de você beber. O Campari com vermute e gin em proporções iguais — a fórmula italiana que não tem segredo e tem tudo. Um gole para aquecer o paladar. Dois para relaxar.
O polvo ao risoto de açafrão chegou como prato principal e disse imediatamente que estava com a mesma disposição de quem construiu o drinque. Os tentáculos estavam dourados e caramelizados nas pontas — esse escurecimento que acontece quando você sela o polvo numa frigideira muito quente depois do cozimento lento. A superfície crocante contrasta com o interior macio. Sobre um disco de risoto cremoso com açafrão: aquele amarelo de safra, o perfume floral que a especiaria libera no calor, a consistência que escoa levemente quando você inclina o prato. Camarão rosa e microgreens complementavam sem disputar atenção.
O polvo sobre risoto de açafrão é um prato que sabe onde está: Minas Gerais com o mar imaginado, técnica italiana aplicada com produto brasileiro, sofisticação que não recusa o prazer direto.
A sobremesa de mousse e torte de chocolate encerrou o jantar com densidade e elegância. Camadas de brownie, mousse e cobertura de cacau, morangos frescos — doçura com estrutura, não doçura como capitulação.
O ritmo do jantar foi o ritmo de uma boa noite de maio em BH: sem pressa, sem fome excessiva, com a sensação de que o próximo prato sempre chegou no momento certo.
Ficha Técnica
- Localização: Ninita, Belo Horizonte, MG
- Categoria: Alta Gastronomia / Brasileira
- Preço médio: R$ 120–200 por pessoa
- Avaliação: ⭐ (5/5) — do coquetel à sobremesa, jantar com ritmo e coerência