Gramado vende chocolate com eficiência. Você entra na cidade e em dez minutos já conhece três fábricas, duas lojas de fondue e uma rua inteira dedicada ao cacau transformado. É uma cidade que encontrou seu produto e explorou até o limite.
Mas existe outro Gramado — o da serra gaúcha que produz azeite com método europeu, uva com método europeu, e que recentemente começou a olhar para si mesma como região produtora de algo além do turismo alpino.
As Olivas de Gramado são parte dessa outra história.
Sete azeites chegam para degustação em copinhos feitos de fundo de garrafa cortado — esse objeto de design improvisado que ao mesmo tempo recicla vidro e cria um objeto de uso completamente novo. Sobre uma tábua com marca gravada a fogo, os copinhos estão alinhados do mais suave ao mais intenso. Do lado, queijos, embutidos, chocolate amargo e pão.
A sequência de degustação tem lógica: você começa pelo mais delicado, onde o frutado verde é suave e o amargor quase imperceptível. Vai avançando até os azeites mais robustos, onde a pimenta aparece no final da garganta — aquela picância que os italianos chamam de retrogosto e que é sinal de polifenóis, de saúde, de oliveiras que sofreram um pouco para produzir algo de caráter.
Provar azeite como se prova vinho não é afetação. É o único jeito de entender o que você está comprando.
O chocolate amargo entre um azeite e outro funciona como reset — mais eficiente que a água, porque o amargor do cacau conversa com o amargor da azeitona e, paradoxalmente, limpa o paladar com mais delicadeza.
Gramado não precisa escolher entre o chocolate e o azeite. Pode ser as duas coisas. Essa degustação prova.
Ficha Técnica
- Localização: Olivas de Gramado, Gramado, RS
- Categoria: Terroir / Azeites
- Preço médio: R$ 60–100 por pessoa (degustação + produtos)
- Avaliação: ⭐ (5/5) — degustação guiada de azeite gaúcho com apresentação criativa e rigor sensorial