Alta Gastronomia / Espanhola · São Paulo, SP

Tanit: fideuà de camarões e o macarrão que aprendeu a ser arroz

Por gastronomizaê 15 de janeiro de 2026 Preço: alto ⭐⭐⭐⭐⭐
Tanit: fideuà de camarões e o macarrão que aprendeu a ser arroz

A fideuà é o que acontece quando um cozinheiro valenciano olha para a paella e decide que o macarrão pode fazer o mesmo trabalho — ou melhor. O fideó é um macarrão curto que, tostado em óleo antes do cozimento e depois absorvendo o caldo de frutos do mar, desenvolve uma personalidade completamente diferente do macarrão que você conhece.

No Tanit, a fideuà de camarões chega na mesma assadeira Staub do arroz negro — esse ferro fundido que Oscar Bosch usa como assinatura visual e como instrumento de cocção precisa. O caldo dourado de frutos do mar ainda borbulha nas bordas quando o prato chega à mesa. O fideó está tostado, com aquelas pontas ligeiramente escurecidas que indicam a tostagem inicial, e úmido de caldo até o limite: absorveu tudo sem empapar.

Quatro camarões inteiros estão dispostos geometricamente sobre a fideuà — não jogados, não acumulados no centro, mas colocados com a mesma intenção de quem pensa o prato visualmente antes de pensar o sabor. Quatro quenelles de allioli nos cantos espelham a organização dos camarões.

A fideuà e a paella dividem a mesma lógica: o socarrat. Aquela camada crocante que se forma no fundo da assadeira quando o caldo evapora e o amido tosta. Quem chega tarde não come.

Os camarões estão cozidos com precisão — não borrachosos, não crus. O allioli nos cantos existe para ser incorporado à vontade: um pouco de maionese de alho emulsionada com azeite transforma cada garfada numa coisa diferente.

Oscar Bosch trouxe a Valência para dentro de uma assadeira Staub em São Paulo. O Atlântico não está distante.

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