Gramado em agosto tem o frio que o sul do Brasil guarda para a temporada de festivais. O Festival de Cinema de Gramado transforma a cidade num estado de atenção — há filmes passando em três telas ao mesmo tempo, críticos cruzando a Rua Coberta, casais que vieram pelo evento e ficaram pelo cenário alpino.
Numa pausa entre sessões, o William & Sons Coffee Co. aparece como resposta óbvia ao frio e à necessidade de desacelerar.
O espresso chega em cumbuca preta minimalista — aquele formato bojudo que guarda calor e aquece as mãos enquanto você segura. Sobre uma bandeja de bambu, dois copos de água: um antes, um depois. O ritual está completo sem que ninguém precise explicar. Água antes para limpar o paladar. Água depois para prolongar a memória do café.
Um bom espresso num dia frio de festival de cinema é uma experiência estética por direito próprio. Não é metáfora — é literalmente sensorial.
A cumbuca preta em contraste com o bambu natural da bandeja comunica algo sobre a casa: há intenção estética aqui, mas ela serve ao conforto, não ao Instagram. O café estava extraído com precisão — crema firme, temperatura certa, sem aquele amargor de café queimado que diz que a máquina não foi calibrada hoje.
Gramado tem uma relação historicamente problemática com o café: a cidade vende chocolate com competência e vinho com entusiasmo, mas o café muitas vezes fica em segundo plano, servido como protocolo em cafeterias de fachada. O William & Sons é uma exceção que vale ser reconhecida.
Num festival de cinema, as pausas são parte do programa. O café do William & Sons foi uma das melhores cenas daquela semana.
Ficha Técnica
- Localização: William & Sons Coffee Co., Gramado, RS
- Categoria: Café / Terroir
- Preço médio: R$ 15–25 por pessoa
- Avaliação: ⭐ (4/5) — espresso cuidado, apresentação elegante, pausa necessária no festival