Alta Gastronomia / Japonesa · São Paulo, SP

Doryo: a entrega total que o omakase exige

Por Luiz Lessa 18 de dezembro de 2025 ⏱ 2 min de leitura Preço: alto ⭐⭐⭐⭐⭐
Doryo: a entrega total que o omakase exige

Omakase significa confie no chef. Não é uma sugestão de abertura de cardápio, não é uma forma elegante de dizer “menu fechado”. É uma postura. Você senta, você coloca os cotovelos no balcão ou as mãos sobre a mesa, e você decide, conscientemente, não decidir mais nada durante as próximas horas.

No Doryo, essa entrega foi recompensada curso por curso.

Começou com salmão curado e ikura — as ovas cor de âmbar que estouram na língua com aquele sal profundo de mar gelado. A cura do salmão tinha sido feita com acerto: firme o suficiente para segurar a faca, macio o suficiente para desfazer na boca.

O tartare de atum com gema de codorna e caviar negro veio a seguir — o vermelho intenso do atum picado em cubos uniformes, a gema amarela e intacta no centro esperando ser quebrada, os grânulos pretos de caviar como pontuação final. Misturá-los é um ato quase violento que resulta em algo extraordinariamente sedoso.

O tempurá de peixe branco chegou crocante, com aquela massa fina e bolhosa que é marca do tempurá bem-feito — não a casca grossa e encharcada que virou clichê, mas uma fritura leve que existe para conduzir o peixe, não para escondê-lo.

O omakase não é sobre o que você come. É sobre o que você aprende a ver quando para de escolher.

O gunkan de atum sobre caixinha hinoki — essa madeira de cedro japonês que perfuma o entorno com algo entre floresta e sashimi — parou o tempo por um momento. A madeira ancora o conjunto numa memória sensorial que nenhuma louça consegue reproduzir.

O sashimi com quatro peixes diferentes exigiu atenção: textura de cada corte, temperatura relativa, sequência de consumo. O nigiri omakase sete peças foi o encerramento salgado — peças de tamanho generoso, arroz na temperatura certa (morno, nunca frio), cada combinação de peixe com arroz ajustada na mão do chef em tempo real.

O sorvete de matcha sobre granola encerrou tudo com amargura vegetal e crocância — uma sobremesa que recusa o açúcar fácil e pede que você chegue até o final sem pressa.

Ficha Técnica

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