“O café especial é o luxo mais barato que qualquer brasileiro pode ter.” A frase é de Leonardo Montesanto, fundador da Coffee ++, marca mineira de cafés especiais, em entrevista publicada pelo Estado de Minas em 5 de outubro. A conta que ele apresenta: o café tradicional sai por R$ 60 a R$ 70 o quilo, cerca de R$ 0,60 por dose; o especial, por R$ 130 a R$ 150 o quilo, cerca de R$ 1,30. A diferença, nessa conta, é de uns setenta centavos por xícara.
Os números do varejo mostram um quadro um pouco diferente. Segundo dados da Abic divulgados pela imprensa, o preço médio do café tradicional e extraforte caiu 15,51% entre abril de 2025 e abril de 2026, de R$ 65,50 para R$ 55,34 o quilo, com a safra grande e mais oferta de grão cru. No mesmo período, o café especial subiu 16,89%, de R$ 137,96 para R$ 161,26 o quilo. O consumo geral de café avançou 2,44% no primeiro quadrimestre de 2026, com 4,91 milhões de sacas vendidas.
Mantida a conversão do entrevistado, de cerca de 100 doses por quilo, as médias da Abic dão aproximadamente R$ 0,55 por xícara de café tradicional e R$ 1,61 de especial: uma diferença de cerca de um real. É pouco em termos absolutos, e a margem entre os dois aumentou no último ano, porque um ficou mais barato e o outro mais caro.
Vale registrar que Montesanto vende café especial, então a frase é também uma defesa do próprio produto. A discussão de fundo, se o consumidor brasileiro está disposto a pagar mais por origem, processo e qualidade rastreáveis, continua em aberto.
Nota factual. O gastronomizaê não entrevistou o fundador da Coffee ++ nem provou os cafés: as informações vêm da entrevista do Estado de Minas (5 de outubro de 2026) e de reportagens da imprensa com dados da Abic (Canal Rural, Folha Vitória). A conta por xícara é nossa, feita com as médias da Abic e a conversão de 100 doses por quilo citada na entrevista. O gastronomizaê não tem relação comercial com a Coffee ++. Foto ilustrativa de um café com latte art em Londres, sem relação com a marca.