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Do balcão ao ranking mundial: as cafeterias brasileiras no The World's 100 Best Coffee Shops 2026

Duas casas brasileiras entraram na lista global em fevereiro. Nesta semana, o recorte sul-americano mostrou 12 endereços do país, de Curitiba a Maceió, passando por Belo Horizonte e Juiz de Fora.

Por Luiz Lessa23 de setembro de 2026

Do balcão ao ranking mundial: as cafeterias brasileiras no The World's 100 Best Coffee Shops 2026

Foto: Foto: Rafael Motta/Divulgação Elisa Café

O Brasil é o maior produtor de café do mundo, mas por muito tempo a xícara servida aqui não acompanhou a fama do grão exportado. O The World’s 100 Best Coffee Shops, ranking internacional dedicado só a cafeterias, dá sinais de que isso está mudando. A segunda edição foi anunciada em 19 de fevereiro deste ano, durante o CoffeeFest Madrid 2026, com duas brasileiras entre as 100: a Cupping Café, em 81º lugar, e a Coffee Five, em 92º.

Como funciona a lista

A nota vem de dois grupos: um painel de cerca de 800 profissionais de café, gastronomia e hospitalidade responde por 70% do resultado, e um voto popular de cerca de 350 mil pessoas pelos outros 30%. Os critérios são qualidade do café, técnica do barista, serviço, consistência, inovação, ambiente, comida e confeitaria, e sustentabilidade. A edição partiu de mais de 15 mil cafeterias indicadas. No topo ficou a Onyx Coffee Lab, de Rogers, no Arkansas — a primeira casa americana a chegar ao número 1. Completam o pódio o norueguês Tim Wendelboe e a salvadorenha Alquimia Coffee.

As duas brasileiras na lista mundial

A Cupping Café fica na Vila Madalena, em São Paulo, e funciona desde 2017. Torra os próprios grãos, abastece outros negócios e trabalha com produtores de São Paulo, Minas Gerais e Bahia. Em 2025 já tinha entrado na lista em 92º, como única brasileira; este ano subiu onze posições. Além do café, é conhecida pelos bolos artesanais, com destaque para o de banana e o de coco gelado.

A Coffee Five nasceu em 2018 como um quiosque dentro do prédio histórico da Sul América Seguros, na Rua da Quitanda, no Centro do Rio — longe da orla que a maioria dos turistas conhece. Foi aberta pelo casal Emerson e Rafaela Nascimento: ele, barista premiado várias vezes e atual campeão brasileiro da categoria; ela, sommelière de chá.

O recorte sul-americano: 12 brasileiras

Nesta semana saiu a lista regional, o South America’s 100 Best Coffee Shops 2026. Mais de 4.200 cafeterias foram avaliadas, e a primeira colocada é a chilena Eco Mapu Coffee Villarrica. As brasileiras são:

Curitiba é a única cidade com duas casas no recorte. A Do Coado ao Espresso, no bairro da Pituba, em Salvador, é a 3ª melhor do Brasil nesta lista e chega embalada por outro título: o de Torrefação do Ano Brasil 2025, conquistado em novembro passado na final da Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte — fundada por Flávio Camargos, Matheus Maciel e Nayara Chaves.

A melhor colocada de Belo Horizonte é o Elisa Café e Torrefação, com cinco anos de história e três unidades na capital mineira (duas na Savassi e uma no Belvedere), além de uma recém-aberta em Ribeirão Preto (SP). “Ele só existe por causa de quem faz parte do Elisa todos os dias”, disse a fundadora, Ana Elisa Saldanha. Com a Giotti, de Juiz de Fora, forma a dupla mineira da lista.

Um número que não fecha sozinho

Um detalhe chama atenção pra quem acompanha as duas listas lado a lado. No ranking mundial, anunciado em fevereiro, a Cupping Café ficou em 81º e a Coffee Five em 92º — a Cupping na frente. No recorte sul-americano, anunciado agora em setembro, a posição se inverte: Coffee Five sobe para 62º e Cupping cai para 89º, atrás de dez outras cafeterias brasileiras que sequer entraram na lista global. As duas listas são apuradas por painéis e em datas diferentes, o que pode explicar parte da diferença — mas o tamanho da inversão é grande o bastante pra render uma pergunta direta à organização, que o gastronomizaê ainda não fez.

O que vem por aí

O ranking ganha uma etapa nacional: o 100 Best Coffee Shops Brasil será lançado em outubro, no Rio Coffee Nation, sob curadoria da Sonimage, plataforma idealizada por Martina Barth d’Avila. A expectativa é que mais casas do país entrem no radar da edição mundial de 2027.


Nota apurada a partir de matérias de O Tempo (19/02/2026), The Rio Times, Superplural Drop, Estado de Minas, BSCA (Brazil Specialty Coffee Association), Anota Bahia e SindRio (2026). O gastronomizaê não entrevistou diretamente as cafeterias citadas nem a organização do ranking; a pergunta sobre a diferença entre as posições da Cupping Café e da Coffee Five nas duas listas segue em aberto. A foto é de divulgação do Elisa Café, cedida à imprensa.

Fonte: O Tempo

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