O Casca abre nesta quarta-feira, 26 de agosto, na Rua Outono, 579, no Carmo, e o nome não é enfeite: é a descrição do método. A ideia declarada pela dupla que assina a casa é achar sabor no que quase todo restaurante manda para o lixo.
Na prática, isso aparece no cardápio de um jeito bem literal. Casca de mexerica vira maionese para acompanhar o tonkatsu de berinjela. Cascas de frutas cítricas entram na gremolata do steak do dia. Um pato rende três preparos diferentes, do coração ao glacê. E o coquetel da casa nasce de um fermentado feito das próprias cascas — o que fecha o ciclo do nome de forma quase didática.
Aproveitamento integral virou palavra de ordem em cozinha nos últimos anos, e boa parte das casas que anunciam a prática entrega uma versão decorativa dela: um caldo de talos aqui, um chip de casca ali. O que diferencia a proposta do Casca, no papel, é que o reaproveitamento não está na margem do cardápio — está no drinque da casa e no molho do prato de berinjela. Se a execução acompanha a tese, é o que a visita vai dizer.
Quem está na cozinha
Pedro Barros e Victor Zuliani cozinharam juntos no Nicolau Bar da Esquina e no Majuma, e o Casca é o primeiro restaurante da dupla.
Barros é formado em gastronomia e cozinha desde 2011. Aprendeu técnica em balcões de sushi, trabalhou com frutos do mar em Santa Catarina, passou por Glouton e Nico Sanduíches e abriu a primeira casa própria, o Majuma, em 2020.
Zuliani trocou a engenharia pela cozinha e tem mais de dez anos de ofício. Esteve na equipe de abertura do Nicolau, chefiou o Taika Bar e foi chef executivo do Montê e do Terraço Niê.
A carta de drinques é assinada por Diego Kruz e inclui o Zezé, de vodca, manteiga noisette e alho negro, e o Sobrio Sour, sem álcool, feito com koso de vinagrete e limão.
Como se come
Não há prato principal. O cardápio se divide em Fritos, Frios e Brasa, com porções pensadas para o centro da mesa, e os valores vão de R$ 30 a R$ 78.
Entre os itens já divulgados: patanisca de siri com aioli de coentro, escabeche de coração de alcatra com pão da casa, polvo com salsa de kimchi, couve-flor com chilli crunch e o corte denver grelhado com chimichurri, o item mais caro da casa, a R$ 78.
O formato tem uma lógica declarada pelos sócios: quem sai sozinho ou em dupla costuma conseguir provar pouca coisa de um cardápio convencional. Porção menor resolve isso — e, de quebra, é o desenho que mais combina com bar.
A carta de bebidas tem cerveja em garrafa de 600 ml e cinco rótulos de sidra, sendo três mineiros (Aparesidra, Enaltesidra e Manza), um carioca (Evva) e um paulista (Çã). Fermentados, xaropes e conservas são produzidos na própria cozinha.
O salão tem 62 lugares distribuídos ao redor da cozinha aberta, com uma vidraça separando o cliente do fogo e banquetas altas no balcão.
Serviço
Casca · @casca_bar Rua Outono, 579, Carmo, Belo Horizonte Inauguração: quarta-feira, 26 de agosto Quarta e quinta, 18h às 23h; sexta, 18h à 0h; sábado, 17h à 0h 62 lugares
Nota factual de abertura. O gastronomizaê ainda não visitou a casa: não há avaliação nem nota aqui, e os pratos citados são os divulgados pelo restaurante. Informações apuradas a partir de Estado de Minas e Diário do Comércio, com endereço, data e capacidade conferidos nas duas fontes.