Abertura

Casca abre no Carmo com a tese de cozinhar o que se joga fora

Pedro Barros e Victor Zuliani, que se conheceram na cozinha do Nicolau, inauguram nesta quarta um bar de brasa e fermentação onde casca de mexerica vira maionese e o cardápio não tem prato principal.

Por Luiz Lessa25 de agosto de 2026

Casca abre no Carmo com a tese de cozinhar o que se joga fora

Foto: Natália Olívia/Divulgação

O Casca abre nesta quarta-feira, 26 de agosto, na Rua Outono, 579, no Carmo, e o nome não é enfeite: é a descrição do método. A ideia declarada pela dupla que assina a casa é achar sabor no que quase todo restaurante manda para o lixo.

Na prática, isso aparece no cardápio de um jeito bem literal. Casca de mexerica vira maionese para acompanhar o tonkatsu de berinjela. Cascas de frutas cítricas entram na gremolata do steak do dia. Um pato rende três preparos diferentes, do coração ao glacê. E o coquetel da casa nasce de um fermentado feito das próprias cascas — o que fecha o ciclo do nome de forma quase didática.

Aproveitamento integral virou palavra de ordem em cozinha nos últimos anos, e boa parte das casas que anunciam a prática entrega uma versão decorativa dela: um caldo de talos aqui, um chip de casca ali. O que diferencia a proposta do Casca, no papel, é que o reaproveitamento não está na margem do cardápio — está no drinque da casa e no molho do prato de berinjela. Se a execução acompanha a tese, é o que a visita vai dizer.

Quem está na cozinha

Pedro Barros e Victor Zuliani cozinharam juntos no Nicolau Bar da Esquina e no Majuma, e o Casca é o primeiro restaurante da dupla.

Barros é formado em gastronomia e cozinha desde 2011. Aprendeu técnica em balcões de sushi, trabalhou com frutos do mar em Santa Catarina, passou por Glouton e Nico Sanduíches e abriu a primeira casa própria, o Majuma, em 2020.

Zuliani trocou a engenharia pela cozinha e tem mais de dez anos de ofício. Esteve na equipe de abertura do Nicolau, chefiou o Taika Bar e foi chef executivo do Montê e do Terraço Niê.

A carta de drinques é assinada por Diego Kruz e inclui o Zezé, de vodca, manteiga noisette e alho negro, e o Sobrio Sour, sem álcool, feito com koso de vinagrete e limão.

Como se come

Não há prato principal. O cardápio se divide em Fritos, Frios e Brasa, com porções pensadas para o centro da mesa, e os valores vão de R$ 30 a R$ 78.

Entre os itens já divulgados: patanisca de siri com aioli de coentro, escabeche de coração de alcatra com pão da casa, polvo com salsa de kimchi, couve-flor com chilli crunch e o corte denver grelhado com chimichurri, o item mais caro da casa, a R$ 78.

O formato tem uma lógica declarada pelos sócios: quem sai sozinho ou em dupla costuma conseguir provar pouca coisa de um cardápio convencional. Porção menor resolve isso — e, de quebra, é o desenho que mais combina com bar.

A carta de bebidas tem cerveja em garrafa de 600 ml e cinco rótulos de sidra, sendo três mineiros (Aparesidra, Enaltesidra e Manza), um carioca (Evva) e um paulista (Çã). Fermentados, xaropes e conservas são produzidos na própria cozinha.

O salão tem 62 lugares distribuídos ao redor da cozinha aberta, com uma vidraça separando o cliente do fogo e banquetas altas no balcão.

Serviço

Casca · @casca_bar Rua Outono, 579, Carmo, Belo Horizonte Inauguração: quarta-feira, 26 de agosto Quarta e quinta, 18h às 23h; sexta, 18h à 0h; sábado, 17h à 0h 62 lugares


Nota factual de abertura. O gastronomizaê ainda não visitou a casa: não há avaliação nem nota aqui, e os pratos citados são os divulgados pelo restaurante. Informações apuradas a partir de Estado de Minas e Diário do Comércio, com endereço, data e capacidade conferidos nas duas fontes.

Fonte: Estado de Minas e Diário do Comércio

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