A revogação do Status de Proteção Temporária (TPS) para imigrantes haitianos nos Estados Unidos já aparece no caixa dos restaurantes de Little Haiti, bairro de Miami que concentra a maior comunidade haitiana do país. Reportagem de capa do USA Today mostra o impacto na rede Chef Creole, negócio fundado por haitianos e uma das referências mais antigas do bairro.
Catorze pessoas, de uma vez
Wilkinson “Ken” Sejour, dono da Chef Creole — conhecida por pratos como o griot de porco frito e os conch fritters (bolinhos de búzio) — relatou ao jornal a perda imediata de 14 funcionários entre cozinha e salão depois da mudança na proteção migratória. Não se trata de uma redução gradual por corte de custos: é gente que deixou de poder trabalhar legalmente, ou que optou por não se arriscar, de uma hora para outra.
O salão também esvaziou
O golpe não veio só pelo lado da mão de obra. A reportagem descreve queda no movimento de clientes nos próprios restaurantes da região — parte do público de Little Haiti é formado por famílias que também vivem sob o mesmo status migratório, e o medo de sair de casa ou de gastar em momentos de instabilidade financeira reduz o consumo justamente no bairro que depende dessa clientela para sustentar a economia gastronômica local.
O caso de Sejour ilustra um problema que ultrapassa uma cozinha: quando uma política migratória muda, o efeito passa pela contratação, mas também pelo caixa, pela reserva de mesa, pelo delivery — a cadeia inteira que mantém viva uma cena gastronômica de imigrantes.
Nota apurada a partir do resumo consultado da reportagem publicada nas páginas 1A e 6A do USA Today. O gastronomizaê não teve acesso ao texto integral da matéria, não entrevistou diretamente Wilkinson Sejour ou a Chef Creole, e não tem relação comercial com o restaurante.