O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) participou, em 3 de setembro, de reunião em Brasília do grupo de trabalho (GT) que o Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) formou para implantar o Monitoramento da Saturação Portuária (MSP). Também estiveram na mesa outras entidades do setor privado e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
O GT foi criado por portaria do MPor em 2026 e é conduzido pela Secretaria Nacional de Portos (SNP). A proposta é comparar, porto a porto e produto a produto, a demanda projetada com a capacidade instalada de terminais e de seus acessos rodoviários e aquaviários, para antecipar situações de saturação ao longo do horizonte do Plano Nacional de Logística.
O que o MSP promete medir
Segundo o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, que representou a entidade no encontro, a ferramenta nasce da falta de informação acurada para embasar decisão de investimento no setor portuário.
“O MSP se apresenta, em seu escopo inicial, como uma ferramenta de mapeamento de gargalos e planejamento setorial de Estado, ouvindo as entidades do setor privado, que representam os usuários dos portos e conhecem a realidade portuária e seus entornos. A intenção é comparar a demanda projetada com a capacidade existente, de forma que se diagnostique, antecipadamente, situações de saturação da capacidade portuária e dos acessos pelos modais rodoviário e aquaviário”, diz Heron.
André de Seixas, diretor-presidente da Associação Brasileira dos Usuários dos Portos, de Transportes e da Logística (Logística Brasil), também presente à reunião, detalha os três elementos que a ferramenta vai cruzar: previsão de demanda, cálculo de capacidade e indicadores de nível de serviço, aplicados a portos organizados e a Terminais de Uso Privado.
“Entre as entregas previstas estão o balanço entre demanda e capacidade dos complexos portuários, a criação de um painel de indicadores de nível de serviço e a definição da metodologia e dos dispositivos necessários à aplicação do MSP, sendo previstas publicações anuais, entre 2027 e 2030, com aperfeiçoamento progressivo da metodologia”, afirma Seixas.
O dado que o Cecafé leva para a mesa
O Cecafé chega ao GT com um histórico próprio de medição do problema. Desde 2023, a entidade publica mensalmente, em parceria com a startup ElloX Digital, o Boletim Detention Zero (DTZ), que cruza escalas de navios e movimentação de contêineres nos principais portos do país.
O balanço fechado do boletim para 2025, publicado pelo Cecafé em janeiro deste ano, mostra 55% dos navios enfrentando atraso ou alteração de escala na média mensal do ano, o equivalente a 602 mil sacas de café (1.824 contêineres) deixando de embarcar por mês. A entidade soma R$ 66,1 milhões em prejuízo acumulado no ano entre armazenagem adicional, pré-stacking e multas de detention.
“Esse contexto revelou a falta da capacidade de pátio e berço nos portos, que elevam os índices de atrasos das embarcações, as recorrentes alterações de escalas dos navios e, por consequência, rolagens de cargas, lotação de pátios e filas de caminhões”, explica Heron.
Para o diretor técnico do Cecafé, a instalação do MSP está alinhada com o que a entidade, ao lado de outras associações do setor privado, vem levando aos órgãos públicos em reuniões nos últimos anos. “A sinergia público-privada será fundamental para o êxito do planejamento logístico do país e a disponibilidade de infraestrutura logística portuária condizente com a pujança de setores como o agro, em especial o café”, diz.
O Cecafé representa mais de 100 associados entre exportadores, produtores, associações e cooperativas de café, que respondem por 96% dos agentes do setor no país.
Nota apurada a partir de release de imprensa enviado pela assessoria do Cecafé (Paulo André C. Kawasaki), que também forneceu a foto da reunião. Os números do Boletim Detention Zero citados nesta nota (55% dos navios com atraso, 602 mil sacas e R$ 66,1 milhões de prejuízo em 2025) foram conferidos na publicação do próprio Cecafé de 27 de janeiro de 2026, e não apenas copiados do release. O gastronomizaê não esteve na reunião em Brasília, não entrevistou as fontes citadas e não tem vínculo comercial com o Cecafé, o MPor, a Antaq ou a Logística Brasil.