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Prêmio Paladar 2026 encolhe pela metade e esconde o júri; primeiro premiado é um garçom de 46 anos de casa

O Estadão entrega o Prêmio Paladar em 31 de agosto, no Rosewood: 10 restaurantes, 10 bares e 10 destaques do ano. São 30 premiados contra 60 em 2025 — e os 20 jurados, que no ano passado foram apresentados com nome e sobrenome, desta vez ficam em sigilo. O primeiro nome anunciado é Josafá Menino da Silva, do Mocotó.

Por Luiz Lessa27 de agosto de 2026

Prêmio Paladar 2026 encolhe pela metade e esconde o júri; primeiro premiado é um garçom de 46 anos de casa

Arte do gastronomizaê

O Prêmio Paladar 2026, do Estadão, será entregue na próxima segunda-feira, 31 de agosto, no Hotel Rosewood São Paulo. São 30 premiados divididos em três trilhas: os 10 melhores restaurantes da cidade, os 10 melhores bares e 10 destaques do ano — categoria que premia profissionais, não casas.

A lista completa ainda não é pública. O jornal está revelando os nomes a conta-gotas até a cerimônia, e nesta quinta-feira, 27, anunciou o primeiro deles.

O primeiro nome não é um chef

O Destaque do Ano na categoria Prata da Casa foi para Josafá Menino da Silva, o Mestre Josafá, garçom do Mocotó, na Vila Medeiros. Ele completou nesta quinta 46 anos de trabalho na mesma casa.

O número merece um segundo de atenção. O Mocotó foi fundado em 1973 por José de Almeida, como uma casa do norte na zona norte de São Paulo. Josafá chegou em 1980 — ou seja, esteve lá em 46 dos 53 anos de existência do restaurante. Quando entrou, Rodrigo Oliveira, hoje chef e responsável por transformar o boteco do pai num dos restaurantes brasileiros mais conhecidos fora do país, tinha um mês de vida.

Josafá nasceu em 1954 em Frei Miguelino, no interior de Pernambuco, e veio para São Paulo aos 17 anos. Chama o Mocotó de “meu lugar no mundo”. O perfil é de Fernanda Aranda, no Estadão, e vale a leitura completa lá.

Registre-se o que a escolha diz. Prêmio de gastronomia costuma ser um retrato de cozinha — chef, técnica, autoria. Abrir a temporada de anúncios com um profissional de salão, que chega às 5h30 para limpar a casa e fazer o café, e serve mesa há quase meio século, é uma decisão editorial, e das boas. O trabalho de salão é a parte da experiência que o cliente mais usa e a imprensa menos cobre.

Para dimensionar a casa premiada: o Mocotó tem selo Bib Gourmand do Guia Michelin e já figurou na lista dos melhores da América Latina do 50 Best. O dadinho de tapioca, criado por acidente e incorporado ao cardápio em 2005, vende mais de 40 mil unidades por mês somando as duas unidades.

O calendário dos próximos anúncios

O Estadão informa dois outros vencedores da trilha Destaque do Ano antes da cerimônia:

Os 30 nomes completos, incluindo os dois rankings de 10, saem no dia 31.

Duas mudanças em relação a 2025

Aqui está o que a cobertura do anúncio não conta, e que aparece quando se compara esta edição com a anterior.

O prêmio encolheu pela metade. A edição de 2025 premiou 60 nomes: 20 melhores restaurantes, 20 melhores bares e 20 na trilha Honra ao Mérito, esta última revelada em contagem regressiva ao longo de julho. A de 2026 tem 30 — dez em cada trilha, com a terceira rebatizada de Destaque do Ano.

Há uma explicação óbvia e ela precisa ser dita: 2025 foi a edição comemorativa dos 20 anos do caderno Paladar, inflada de propósito. Comparar com um ano de aniversário é comparar com o pico. Ainda assim, o corte é grande, e vale acompanhar se o novo tamanho é a régua ou um recuo.

O júri deixou de ter nome. Este é o ponto que mais interessa a quem lê ranking.

Em 2025, os 20 jurados foram apresentados publicamente antes do resultado — dez para restaurantes, dez para bares —, com críticos e jornalistas de gastronomia identificados um a um, entre eles Arnaldo Lorençato, Josimar Melo, Daniela Filomeno, Patrícia Ferraz e Danielle Nagase, do lado dos restaurantes, e Carolina Oda, Giba Amendola, Fabio Wright e Marcelo Sant’Iago, do lado dos bares.

Em 2026, o jornal informa que o corpo de 20 jurados tem “a identidade mantida em sigilo”. Se o sigilo vale só até a cerimônia ou em definitivo, não está dito. A auditoria segue com a Fundação Instituto de Administração (FIA), como no ano passado.

O anonimato é defensável: jurado identificado é jurado cortejado, e num circuito pequeno como o paulistano isso pesa de verdade. Mas é uma troca, não um ganho puro. Um júri com nome permite ao leitor calibrar o resultado pelo repertório de quem votou — se a lista tem viés de bairro, de faixa de preço ou de cozinha, dá para ver de onde vem. Sem os nomes, resta confiar na instituição. A auditoria da FIA confere a contagem, não o critério.

Vale dizer de onde eu falo: aqui no gastronomizaê a régua é publicada — visita anônima, conta paga, nota de 1 a 5 facas, e quem assina sou eu. Não é melhor nem pior que um prêmio por júri; é outro instrumento. Só não são a mesma coisa, e a diferença fica mais nítida quando um dos dois recolhe os nomes.

O que vamos publicar

Voltamos ao assunto na segunda, quando os 30 nomes forem divulgados, com a leitura que interessa: quem repete de 2025, quem estreia, e o quanto a lista conversa (ou não) com o Michelin e com o 50 Best em São Paulo.


Nota factual. O gastronomizaê não participa do Prêmio Paladar e não tem relação com a organização. A edição de 2026 foi apurada na edição impressa de O Estado de S. Paulo de 27 de agosto de 2026 (caderno Cultura & Comportamento, C3) e no material de divulgação do prêmio publicado na mesma edição. Os dados da edição de 2025 — número de premiados, trilhas e composição do júri — vêm da divulgação pública daquela edição e da cobertura de imprensa especializada da época. Os dados sobre o Mocotó vêm de fontes públicas independentes do Estadão.

Fonte: O Estado de S. Paulo, edição de 27/08/2026

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