A menos de 300 quilômetros da capital paulista, nas encostas do Sul de Minas Gerais, as cidades de Andradas, Caldas, São Lourenço, Delfim Moreira e Passa Quatro formam o chamado “Pentágono Mineiro” — um território onde a hospitalidade rural se uniu à tecnologia enológica de ponta.
A dupla poda e a inversão do calendário
O catalisador da virada vitivinícola da região é a técnica da dupla poda, validada pela Epamig a partir dos anos 2000: ao transferir a colheita das videiras do verão chuvoso tropical para o inverno seco da Serra da Mantiqueira, os produtores alcançam maturação fenólica plena com acidez equilibrada — a mesma lógica que já discutimos aqui a propósito dos vinhos de Minas em geral.
Em Andradas, cidade de forte herança da imigração italiana na divisa com São Paulo, os resultados ganharam reconhecimento internacional. A Casa Geraldo, vinícola cuja marca nasceu em 2000 a partir de uma propriedade familiar de 1969, conquistou medalhas de ouro no Decanter World Wine Awards 2026. A Stella Valentino e a Vinícola Beloto, também em Andradas, completam o polo enoturístico da cidade, com passeios guiados por vinhedos e degustações ao entardecer.
As águas de Caldas e Pocinhos do Rio Verde
Subindo a serra em direção a Caldas, o vinho encontra as estâncias termais: o vilarejo de Pocinhos do Rio Verde preserva suas fontes sulfurosas no tombado Balneário Doutor Reynaldo de Oliveira Pimenta, com banhos de imersão em águas que brotam do solo vulcânico.
O queijo de cabra que chegou ao topo
O enoturismo não é o único destaque agroecológico da região. Em Delfim Moreira, a produtora Clara Antoniazzi comanda um trabalho de queijos de cabra que rendeu à propriedade a medalha Super Ouro no 4º Mundial do Queijo Brasil — reconhecimento que coloca o caprino da Mantiqueira entre os melhores queijos do país, produzido a partir de manejo de cabras leiteiras em pastagens de altitude.
A paisagem como destino
Enquanto o consumo global de vinho de prateleira encolhe em mercados maduros, o turismo enológico segue como vetor de fixação do produtor ao campo. O Pentágono Mineiro mostra que o valor da garrafa — ou do queijo — não se encerra no produto embalado: está na experiência de pisar no chão onde a uva amadureceu fora de época, ou onde a cabra pastou em pouca altitude, e entender que a mesa brasileira encontrou nas montanhas uma de suas vozes mais consistentes.
Nota apurada a partir de cobertura de imprensa local (Jornal Andradas Hoje, Agência Minas, sites das vinícolas citadas) e de premiações públicas do Mundial do Queijo Brasil. O gastronomizaê não visitou a região para esta matéria e não tem relação comercial com nenhuma das vinícolas ou produtores citados. A imagem de capa é ilustração gerada por inteligência artificial, de caráter simbólico — não retrata nenhuma propriedade real citada no texto.