Na coluna “Ask Elazar” — em que o crítico gastronômico do The Washington Post, Elazar Sontag, responde a perguntas de leitores —, um cliente perguntou como pedir carne bem-passada em um restaurante de alta gastronomia sem ofender o chef. Ele disse não comer carne “rosada” (no ponto médio ou mal passado): quer boi e porco bem-passados, e vieiras sem transparência no interior, mesmo sabendo que chefs de ponta costumam cozinhar exatamente no ponto que consideram ideal, como preferência culinária.
”Isso não é problema seu”
A resposta de Sontag tem duas partes. Primeiro, se pedir a carne bem-passada já é suficiente para ofender o chef, não existe formulação que evite essa ofensa — “a pessoa vai sentir o que vai sentir”, escreve, e isso foge do controle do cliente.
Mas, segundo ele, a maioria dos chefs não se importa tanto assim e quer que o cliente tenha a refeição que deseja: “Claro, eles podem achar que você está estragando um bom pedaço de carne, e talvez até revirem os olhos na cozinha. Nenhum dos dois é problema seu.” O verdadeiro receio da cozinha, segundo Sontag, é que a carne bem-passada fique dura ou borrachuda e o cliente reclame ou devolva o prato.
Como fazer o pedido
A sugestão prática de Sontag: formular o pedido de um jeito que deixe claro que é uma preferência pessoal, não uma dúvida sobre a técnica do chef. Ele propõe uma frase como “gosto da minha carne bem-passada, sem nenhum rosa. Sei que talvez não seja como o chef recomenda, mas prometo que é assim que eu gosto.” Para peixes e frutos do mar, Sontag admite ter preferência pessoal por carnes malpassadas, mas reconhece que o cliente tem toda a liberdade de pedir do jeito que quiser — o limite prático, segundo ele, é que existe pouco a fazer quando alguém pede vieiras bem no ponto ou peixe totalmente cozido em uma casa que serve tudo cru ou mal selado por conceito.
Nota apurada diretamente na coluna “Ask Elazar”, do The Washington Post, publicada em 11 de setembro de 2026. O gastronomizaê não tem vínculo com o The Washington Post nem com Elazar Sontag, e não pagou nem recebeu pagamento para publicar esta nota.