A ONU Turismo apresenta nesta sexta-feira, 28 de agosto, no 29º Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes, o guia de rotas do vinho que lançou este mês em São Paulo. Minas Gerais entra na publicação com 11 vinícolas, distribuídas entre a Serra da Mantiqueira e o Sul de Minas.
A publicação foi elaborada pela revista Adega em colaboração com a ONU Turismo e saiu no I Fórum de Enoturismo e Gastronomia das Américas, realizado em 13 de agosto em São Paulo. Tem versões em português, espanhol e inglês, e reúne vinícolas, restaurantes, hotéis e roteiros. O levantamento que deu origem ao guia catalogou mais de 200 vinícolas — a maioria ainda em processo de estruturação para receber visitantes.
”Américas” aqui quer dizer Mercosul
Vale ler o nome com atenção, porque ele promete mais do que entrega. O guia circula na comunicação como Guia Adega de Rotas de Vinhos das Américas, mas a capa traz outro título — Guia ADEGA Rotas do Vinho 2026|2027 — e, logo abaixo, a lista dos países cobertos: Argentina, Brasil, Chile e Uruguai.
São quatro países da América do Sul. Não há México, não há Estados Unidos, não há Canadá, Peru ou Bolívia. O próprio representante da ONU Turismo delimita o recorte ao falar da publicação:
“Há algumas semanas, nós lançamos um guia junto à Revista Adega sobre enoturismo e, principalmente, sobre as vinícolas no Brasil, com quatro rotas que vamos divulgar na América do Sul, no Mercosul. E dentro dessas rotas, uma de extrema importância é a que envolve vinícolas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.”
— Daniel Nepomuceno, diretor de Novos Negócios e Parcerias Público-Privadas da ONU Turismo
Isso não diminui o guia: um mapa de enoturismo do Cone Sul com chancela da ONU Turismo é coisa relevante, e a rota que liga São Paulo, Minas e Rio é justamente a novidade do mapa mundial do vinho. Só não é um guia das Américas. Registre-se também que a cobertura do lançamento em São Paulo falou em cinco rotas, enquanto a fala de Nepomuceno menciona quatro — o número exato depende de como se conta, e o guia impresso é quem resolve.
Outro detalhe da capa que merece nota: quem assina a realização é a Inner Conteúdo, com patrocínio da BN Starbinetti. A ONU Turismo entra como parceira e chancela, não como editora.
Por que Minas faz vinho agora
A parte que interessa a quem come e bebe está no como. Minas não tinha tradição de vinho fino porque o clima não deixava: o verão quente e chuvoso, exatamente na época em que a uva deveria amadurecer, entregava fruta diluída.
A saída foi inverter o calendário. A dupla poda — duas podas por ano, que jogam a maturação da uva para o inverno seco — foi adaptada pela Epamig a partir dos anos 2000, pelo pesquisador Murillo de Albuquerque Regina, que voltou de um doutorado na França e notou que o inverno do Sul de Minas se parecia com o que a videira precisa: pouca chuva e grande amplitude térmica. A colheita passou de janeiro para julho.
É a razão técnica pela qual existem tintos de altitude em Minas, e é o que colocou a região num guia internacional. Não é marketing regional: é um ciclo vegetativo diferente. Hoje a técnica se espalhou por oito das doze mesorregiões mineiras e saiu do estado — São Paulo, Rio, Espírito Santo, Centro-Oeste e Chapada Diamantina.
Sobre isso se construiu a estrutura de visitação — degustação, restaurante, hospedagem — que é o que o guia de fato cataloga. Vinícola sem receptivo não entra.
O que ainda não está público
Aqui está a informação que falta, e é a que o leitor mineiro quer: quais são as 11 vinícolas. A lista não foi divulgada no material de imprensa nem na cobertura do lançamento. A única casa mineira nomeada publicamente até agora é a Maria Maria, da Serra da Mantiqueira, citada pelo Isabela Syrah 2023.
Vamos atrás da lista e atualizamos esta nota quando ela sair.
Uma ressalva sobre o número mais chamativo do anúncio: a ONU Turismo afirma que os investimentos ligados à expansão do setor vitivinícola brasileiro já superam R$ 20 bilhões. É um dado apresentado pela organização no fórum, sem memória de cálculo pública. Fica aqui como declaração, não como fato verificado.
Serviço
29º Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes 21 a 30 de agosto de 2026 · Tiradentes (MG) Tema desta edição: as relações entre Minas Gerais e Portugal
Espaços gratuitos: Praça Santíssimo, Praça da Rodoviária e Largo das Forras Festins: 21, 22, 28 e 29 de agosto Sunset Fartura na Vinícola Trindade: 22 e 29 de agosto Casa Localiza: Rua Direita, 159 — sexta 17h–22h, sábado 12h–22h, domingo 10h–15h
Programação e ingressos: farturabrasil.com.br
Nota factual. O gastronomizaê não esteve no festival e não recebeu pagamento para publicar esta informação. Dados apurados a partir do material da assessoria do Festival (Doizum Comunicações), da capa da publicação e da cobertura de O Tempo e PANROTAS.