Segurança Alimentar

Por trás do almoço de R$ 3: a rede de restaurantes populares de BH

Só a unidade de Venda Nova consome por dia cerca de 110 kg de arroz, 45 kg de feijão e quase 300 kg de carne. Os quatro restaurantes populares de Belo Horizonte somam 2,4 milhões de refeições por ano.

Por Luiz Lessa1 de outubro de 2026

Por trás do almoço de R$ 3: a rede de restaurantes populares de BH

Foto: Débora de Oliveira/PBH

O Restaurante Popular Maria Regina Nabuco, em Venda Nova, voltou a funcionar em seu formato tradicional após uma reforma de mais de R$ 1 milhão. Só essa unidade consome todos os dias cerca de 110 kg de arroz, 45 kg de feijão e quase 300 kg de carne, além de verduras, legumes e frutas, para servir cerca de 1.400 almoços por dia.

A escala por trás do prato de R$ 3 sustenta, nas palavras do Estado de Minas, uma das políticas sociais mais bem-sucedidas da capital, criada há mais de três décadas. Os quatro restaurantes populares da capital, somados a um refeitório anexo ao prédio da Câmara Municipal, servem juntos cerca de 10 mil refeições diárias e atendem um público que vai de trabalhadores de baixa renda a pessoas em situação de rua, passando por aposentados e estudantes. No ano, a conta chega a 2,4 milhões de refeições, segundo dados de 2025 — das quais cerca de 600 mil foram servidas gratuitamente a pessoas em situação de rua.

O preço é parte do desenho da política: almoço a R$ 3, jantar a R$ 1,50 e café da manhã a R$ 0,75. Beneficiários do Bolsa Família pagam metade desses valores; pessoas em situação de rua cadastradas no CadÚnico comem de graça. Não há exigência de comprovação de renda: qualquer cidadão pode usar o serviço. Em vez de distribuir alimentos, a política garante acesso a refeições preparadas por nutricionistas, o que, segundo a cobertura, diferencia os restaurantes populares de programas assistenciais tradicionais.

Manter essa estrutura funcionando exige investimento contínuo. A Prefeitura aplicou cerca de R$ 8,3 milhões na modernização dos restaurantes populares da cidade, incluindo reformas estruturais, melhorias de acessibilidade e adequação das cozinhas. A unidade de Venda Nova recebeu rampa no balcão de distribuição, piso tátil, corrimãos, nova iluminação e recuperação de revestimentos. Para Emanuelle Cardoso Zibral, diretora de Unidades de Alimentação Popular da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional, a reabertura é “a retomada de um serviço essencial” para Venda Nova, agora com “mais conforto, acessibilidade e dignidade”.

Belo Horizonte é referência nacional no tema desde os anos 1990, quando passou a combinar restaurantes populares, bancos de alimentos, feiras, sacolões, agricultura urbana e programas de apoio à produção familiar numa política integrada de abastecimento. Hoje, a rede soma cinco equipamentos: o Restaurante Popular Herbert de Souza, no Centro; o Josué de Castro, na região hospitalar de Santa Efigênia, atualmente fechado para obras e atendendo apenas a população em situação de rua com entrega de marmitex; o próprio Maria Regina Nabuco, em Venda Nova; o Dom Mauro Bastos, no Barreiro; e o Refeitório Popular João Bosco Murta Lages, na Avenida dos Andradas.

Serviço

Restaurante Popular Maria Regina Nabuco Rua Padre Pedro Pinto, 2.277, Estação BHBus, Venda Nova, Belo Horizonte (MG) 11h às 14h — almoço


Nota factual. O gastronomizaê não visitou a unidade nem apurou informações além das publicadas: os dados vêm da cobertura do Estado de Minas (edição de 1º de outubro de 2026). O gastronomizaê não tem relação comercial com a PBH. Foto de divulgação institucional (Débora de Oliveira/PBH), registrada antes da reforma de 2026: a fachada pode ter mudado desde então.

Atualizado em 2 de outubro. A primeira versão tinha uma cena de abertura que não constava da fonte, e o título sugeria uma visita à unidade que não houve. Corrigido.

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